Por D. Burato
A revista VEJA ataca o currículo
escolar com argumentos preconceituosos, crucificando o ensino de disciplinas como
Filosofia, Sociologia e Música por desviarem a atenção dos alunos das matérias
realmente importantes (matemática, português e ciências). Leia a matéria na
íntegra: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/a-utopia-sufoca-a-educacao-de-qualidade
“A Utopia Sufoca a Educação de
Qualidade”. Num primeiro momento, o título do artigo do economista Gustavo
Ioschpe, publicado na revista Veja em 11 de abril de 2012, deixa-nos temerosos
acerca do seu conteúdo. Após a sua leitura, o temor dá lugar à revolta e a
indignação. O discurso assumido pelo economista sobre a qualidade educacional
do nosso país e o rumo que ela deveria tomar é fundamentalmente tecnicista e com
citações preconceituosas, perceptíveis ao leitor mais atento.Para o autor, a escola se perde ao
tentar cumprir tantos compromissos legais, fruto de um pensamento educacional
“utópico”. Passagens como “a esperança vã de pensadores de que uma
escola que mal consegue ensinar o básico resolva todos os problemas sociais e
éticos do país”, e “esse desejo
expansionista (em relação ao currículo escolar) faz bem ou mal ao nosso sistema
educacional? Será um caso em que mirar no
inatingível ajuda a ampliar o alcançável ou, pelo contrário, a sobrecarga
faz com que a carroça se mova ainda mais devagar? Acredito que seja o último”,
explicitam o uso do termo “utopia” como uma espécie de devaneio ou o paraíso
pretendido pelos legisladores e pensadores da educação, estes últimos nomeados
como “revolucionários de poltrona”. Para ele, a realidade sempre sobrepuja as
intenções. Assim, a escola deve apenas cumprir com o seu papel de preparar os
indivíduos para o mercado de trabalho (ou seja, deve ensinar exclusivamente
matemática, português e ciências), não devendo perder tempo com discussões
triviais como ética, cidadania e política.O seu discurso assume em muitos momentos
uma postura preconceituosa. Relaciona indevidamente o fracasso escolar a
quantidade inferior de aulas das disciplinas ditas “fundamentais”, e não a qualidade
do ensino. A educação de qualidade (aquela que capacita o futuro trabalhador), por
dividir o espaço e a atenção dos alunos com matérias irrelevantes (como
filosofia e sociologia), paradoxalmente aumenta o abismo entre pobres e ricos,
uma vez que os primeiros sempre estão em déficit educacional em relação aos
últimos. Esse déficit educacional determinaria assim as condições sociais dos
indivíduos. Sem foco e assumindo uma agenda extensa, a escola tenta “formar o
cidadão virtuoso e o aluno de raciocínio afiado e com conhecimentos sólidos”.
Ioschpe não visualiza a possibilidade de um sistema educacional que concilie
cidadania e conhecimento, ignorando e desvalorizando a educação formadora do
espírito critico acerca das contradições da dinâmica social que incidem
bruscamente sobre os homens, proporcionando a mobilização dos indivíduos para a
mudança do panorama atual. Essas sim influenciam o combate das desigualdades
sociais. Só reclamam por seus direitos aqueles que são conscientes dos abusos
sofridos.E por fim, não
deixaremos de citar os argumentos mais sinuosos do seu discurso, altamente
preconceituosos. Passagens como “É pouco
provável que um aluno rico saia da 1ª série sem estar alfabetizado, enquanto é
muito provável que o aluno pobre chegue ao 3º ano nessa condição. O aluno rico pode, portanto, se
dar ao luxo de ter aula de música”, e “ É
legítimo, embora estúpido, que a maioria dos brasileiros prefira uma educação
que fracasse em ensinar a tabuada mas ensine bem a fazer um pagode”, falam
por si só. São por essas e outras que devemos defender uma educação que
contemple não somente a dimensão técnica, instrumental, mas também as dimensões
política e humana, para que não sejamos ingênuos a ponto de sermos iludidos e
influenciados por pessoas ou por veículos de comunicação mal intencionados.
“A Utopia Sufoca a Educação de
Qualidade”. Num primeiro momento, o título do artigo do economista Gustavo
Ioschpe, publicado na revista Veja em 11 de abril de 2012, deixa-nos temerosos
acerca do seu conteúdo. Após a sua leitura, o temor dá lugar à revolta e a
indignação. O discurso assumido pelo economista sobre a qualidade educacional
do nosso país e o rumo que ela deveria tomar é fundamentalmente tecnicista e com
citações preconceituosas, perceptíveis ao leitor mais atento.Para o autor, a escola se perde ao
tentar cumprir tantos compromissos legais, fruto de um pensamento educacional
“utópico”. Passagens como “a esperança vã de pensadores de que uma
escola que mal consegue ensinar o básico resolva todos os problemas sociais e
éticos do país”, e “esse desejo
expansionista (em relação ao currículo escolar) faz bem ou mal ao nosso sistema
educacional? Será um caso em que mirar no
inatingível ajuda a ampliar o alcançável ou, pelo contrário, a sobrecarga
faz com que a carroça se mova ainda mais devagar? Acredito que seja o último”,
explicitam o uso do termo “utopia” como uma espécie de devaneio ou o paraíso
pretendido pelos legisladores e pensadores da educação, estes últimos nomeados
como “revolucionários de poltrona”. Para ele, a realidade sempre sobrepuja as
intenções. Assim, a escola deve apenas cumprir com o seu papel de preparar os
indivíduos para o mercado de trabalho (ou seja, deve ensinar exclusivamente
matemática, português e ciências), não devendo perder tempo com discussões
triviais como ética, cidadania e política.O seu discurso assume em muitos momentos
uma postura preconceituosa. Relaciona indevidamente o fracasso escolar a
quantidade inferior de aulas das disciplinas ditas “fundamentais”, e não a qualidade
do ensino. A educação de qualidade (aquela que capacita o futuro trabalhador), por
dividir o espaço e a atenção dos alunos com matérias irrelevantes (como
filosofia e sociologia), paradoxalmente aumenta o abismo entre pobres e ricos,
uma vez que os primeiros sempre estão em déficit educacional em relação aos
últimos. Esse déficit educacional determinaria assim as condições sociais dos
indivíduos. Sem foco e assumindo uma agenda extensa, a escola tenta “formar o
cidadão virtuoso e o aluno de raciocínio afiado e com conhecimentos sólidos”.
Ioschpe não visualiza a possibilidade de um sistema educacional que concilie
cidadania e conhecimento, ignorando e desvalorizando a educação formadora do
espírito critico acerca das contradições da dinâmica social que incidem
bruscamente sobre os homens, proporcionando a mobilização dos indivíduos para a
mudança do panorama atual. Essas sim influenciam o combate das desigualdades
sociais. Só reclamam por seus direitos aqueles que são conscientes dos abusos
sofridos.E por fim, não
deixaremos de citar os argumentos mais sinuosos do seu discurso, altamente
preconceituosos. Passagens como “É pouco
provável que um aluno rico saia da 1ª série sem estar alfabetizado, enquanto é
muito provável que o aluno pobre chegue ao 3º ano nessa condição. O aluno rico pode, portanto, se
dar ao luxo de ter aula de música”, e “ É
legítimo, embora estúpido, que a maioria dos brasileiros prefira uma educação
que fracasse em ensinar a tabuada mas ensine bem a fazer um pagode”, falam
por si só. São por essas e outras que devemos defender uma educação que
contemple não somente a dimensão técnica, instrumental, mas também as dimensões
política e humana, para que não sejamos ingênuos a ponto de sermos iludidos e
influenciados por pessoas ou por veículos de comunicação mal intencionados.
